Pela sua situação fronteiriça, a vila de Vinhais manteve-se em permanente tensão bélica ao longo de séculos. Durante a guerra da Restauração, Vinhais, como outras terras raianas, foi vítima de razias em que os espanhóis matavam, saqueavam e queimavam.
Assim foi na noite de 17 de Julho de 1666 quando o general galego Baltazar Pantoja pôs cerco a Vinhais e incendiando, por onde passava, casas e faceiras já quase maduras para a ceifa.
É neste ambiente de tremenda hostilidade que surge uma audaciosa mulher de Rio de Fornos, de seu nome Maria Gonçalves - a Gasparona, filha de Domingos Rodrigues e de Catarina Borges e tia materna de Thomé de Moraes Sarmento.
A figura desta brava mulher é iluminada pelo relato que Inácio Xavier de Morais Sarmento fez do último cerco posto a Vinhais.
Assim consta do manuscrito de Inácio Xavier Sarmento:
“ os castilhanos a fugir… grintado que vinha o poder do mundo sobre elles… entrarão todos a fugir e desapareceu tudo pelas lamas de Rio de Fornos.
Andava hua mulher (de Rio de Fornos) chamada Maria, a gasparona de alcunha, nas lamas e vendo um soldado que hyia muito trazeiro de mais se chegou a ele e lhe tirou a chuça e lhe quebrou nas costellas dandolhe tantas que o deixou por morto e fugiu muito devagar para sua caza.”
O infeliz terá sobrevivido à fúria justiceira desta conterrânea e, certamente, terá conseguido juntar-se aos seus na povoação galega de A Mezquita para onde o general fez vergonhosa retirada, batendo o caminho ainda hoje conhecido por caminho dos galegos e que, pelas lamas de Rio de Fornos, Vidoeira e ladeira de Veigas, leva a Travanca.
By Manuel Barroso

